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Representatividade na Fotografia


ONDE ESTÃO MINHAS REFERÊNCIAS? Na fotografia.

"Você não fotógrafa com sua máquina. Você fotógrafa com sua cultura".

- Sebastião salgado.


Em qualquer meio artístico nos referenciamos na arte que nos apresentam. Consagrados e premiados diante de destaques, apontado por pessoas do mesmo círculo cultural.

Desde meu primeiro contato com a fotografia, em meados de 2012, até os dias atuais. As referências continuam as mesmas.

São belos quadros e retratos. Incríveis artistas.

Porém. Vejo pouca representatividade nas obras.

Os lugares não se parecem com os que vivo e conheço.

Tampouco os artistas que retratam.


Fotografia sempre foi um hobby caro. Uma profissão que poucas pessoas de comunidade alcançam e praticam. COMO SE TORNAR REFERENCIA NESTAS CONDIÇÕES?


Nossa cultura preta e periférica vem sendo respeitada e aceita, graças a uma forçada reformulação de mentalidade. Uma luta coletiva e diária.

Um "famoso" fotógrafo disse "A fotografia, antes de tudo, é um testemunho". - Ansel Adams

E como testemunhar minha cultura?


Preto. Nascido em um ambiente onde a religião de matriz africana se faz presente. Criado na zona norte de Porto Alegre. Não fui adepto da cultura regional do nosso estado. E sim. Do que foi apresentado por meus familiares e comunidade.


Me aproximando e conhecendo mais sobre a cultura Hip-hop. Fui impactado pelo som de protesto "MANIFESTO PORONGO" do RAFUAGI. Que junto lançou uma obra documental sobre negros escravizados na revolta farroupilha e da traição e massacre de Porongo.

Minha mente abriu para nossa cultura preta no estado do RIO GRANDE DO SUL.

Então me aprofundando e estudando esse fato histórico sobre uma guerra perdida. Principalmente pelo nosso povo negro gaúcho. Idealizei o projeto fotográfico LANCEIROS NEGROS.

Listei alguns nomes de amigos, conhecidos e artistas negros. Para representar estes bravos guerreiros. Que lutaram até o dia de sua morte para serem livres.

Entretanto foram traídos pelos seus líderes.


Para cada retrato fazia as seguintes perguntas:

- Se houvesse um novo motim farroupilha. Pelo quê (por qual motivo), tu lutaria pra ter liberdade?

-Qual seria tua arma pra lutar essa guerra?


No meu caso. Minha arma é a câmera do meu smartphone. Onde fiz os retratos destes personagens da vida real. E também minha câmera fotográfica. Meu instrumento de trabalho.

Eu Lutaria para andar de cabeça erguida nas ruas. Para que as pessoas me conheçam pela minha arte e obra. E não para ser mais um preto suspeito.


Meus ancestrais foram assassinados lutando por nossa liberdade.

Hoje lutamos pelo seu reconhecimento representatividade dentro da cultura.



ANSEIO UM DIA EM QUE SEREMOS REFERENCIA.






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